Jornalismo musical e a internet.
Não é de hoje que jornalistas encontram dificuldades de se firmar na área de jornalismo cultural, especificamente sobre música. O sonho de muitos garotos em escrever sobre o disco da sua banda preferida esbarra no campo profissional restrito e nas facilidades proporcionadas pelo avanço da internet.
Atualmente qualquer pessoa pode ter um blog ou um site, e o acesso mais fácil ocorre na mão dos adolescentes, que logo dominam todas as ferramentas e novidades que possibilitam a publicação de textos. Esta abertura, facilitada pela internet, faz com que o sonho de ser um crítico de música deixe de depender de veículos tradicionais como jornais e revistas. Além disso, dispensa a aprovação de um editor, já que a qualidade do texto pode ser desconsiderada no momento em que o leitor se depara com uma novidade, ou alguma opinião que o faça se identificar com o que está escrito.
A internet preencheu a lacuna deixada pelos meios impressos, mas há quem queira ainda seguir carreira na área do modo tradicional, mesmo sabendo das dificuldades. Em 1995, o jornalista André Forastieri, que então assinava a coluna Ondas Curtas no caderno Folhateen do jornal Folha de São Paulo, já alertava para o árduo trabalho de ser profissional na área e dava dicas para quem pretendia seguir em frente. Segundo Forastieri, o principal “é ter um bom texto” e “meter a cara” para “fazer um editor ler seu texto”.
Outro jornalista famoso no meio musical a falar sobre o assunto, é Marcelo Costa, editor do site Scream & Yell (www.screamyell.com.br), e também editor e colunista do portal iG (www.ig.com.br). Ele afirma que “as chances ainda existem” de seguir carreira nesta área, mas, ele também diz que a dificuldade de sobreviver só de cultura, no caso cultura pop, é evidente, e cita o próprio caso: “Eu gostaria muito de poder viver só de cultura pop, do site que eu edito, dos textos que escrevo para algumas revistas, mas isso ainda é impossível. O meu trabalho no iG, por exemplo, nada têm de cultura pop. E é este trabalho que possibilita que eu pague as contas, me alimente, ou seja, viva a vida normalmente.”.
Escrito por Maikol Vancine às 10:53
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